Que as meninas como introvertidos

Aos 41 anos comprei a primeira parte da minha alforria.

2020.11.03 19:29 naonaonaosim Aos 41 anos comprei a primeira parte da minha alforria.

Meu nascimento foi bastante comum, em nada diferindo de outros brasileirinhos. Cometi o pecado mortal (para brasileiros, acho que se eu fosse sueco tava beleza) de ser introvertido, esquisito e caladão diziam. Nasci numa periferia braba e numa família simples, pais que estudaram muito pouco, mas que tinham uma determinação de ferro para que eu tivesse uma vida melhor (muito obrigado pais).
Infância (0 a 10): pré internet né, ir pra escola, assistir tv, jogar bola, soltar pipa, bola de gude, pião. Tanto meu pai quanto a minha mãe trabalhavam bastante, então fui criado bastante solto. Nunca liguei para os estudos, então ia a escola apenas pra aprontar, na vizinhança era também o terror, um capeta em forma de guri huehue. Lógico que apanhava bastante, mas nunca era exagerado ou injusto, sempre merecido.
Adolescência (10 a 20): aqui a coisa começa a degringolar. Acho que essa fase é complicada na vida de qualquer pessoa, começar a abandonar a infância e pensar na vida adulta é sempre complicado. Começam a se formar "tribos", meninos e meninas começam a se enxergar de forma diferente. Meu desempenho na escola que nunca foi bom começa a piorar, por ser calado e diferente me torno a vitima perfeita e começo a ser perseguido. Brigas e humilhações fazem eu repetir a 7º série duas vezes. Minha falha em me adequar tanto nos grupinhos do colégio quanto nos primeiros romances fazem meu coração endurecer e eu começo a me enxergar como um lobo solitário.
Só consigo estudar quando troco de colégio, eu mudo pra um colégio bem longe de casa. Era um colégio que apesar de ser público ficava num bairro muito melhor do que eu morava. Eu não virei um extrovertido, mas apenas o fato de não me baterem e não me humilharem já era ótimo. Conseguir enxergar que existiam outras realidades além da do meu bairro também ara ótimo.
Eu ainda não me encaixava e isso piorou, pois o pessoal dessa nova escola vinha de uma realidade diferente da minha. O que melhorou foi a minha habilidade de lidar com isso. Sabe aquela história de seja você mesmo, esqueça, adapte-se e seja quem as pessoas esperam. Eu era uma espécie de agente duplo, não podia levar minha realidade de casa para a escola e não podia trazer a realidade da escola para meus amigos de infância. Ver essa nova realidade também me modificou, comecei a prestar mais atenção nos estudos, ter mais ambição de uma vida melhor, o que culminou em eu passando para cursar uma escola técnica junto com o 2º grau.
Jovem adulto (20 a 30): por um curto período de tempo parecia que tudo ia dar certo. Adorei o curso técnico, fiz bons amigos, o lado amoroso não tinha rolado, mas foda-se, algum dia vai rolar naturalmente eu pensei. Comecei até em pensar em fazer faculdade, apesar de apenas um primo da parte mais rica da família ter feito. Na época não existia cota e nenhum tipo de financiamento, como meus país não tinham condições de pagar uma particular eu fiz inscrição apenas para a pública do meu estado.
Passei na faculdade, mas o sonho se transformou rapidinho em pesadelo. Lembram que eu falei que nunca tinha me importado com estudo? Isso nunca foi muito problemático na minha vida de estudante pois é cobrado o mínimo de mínimo. Na faculdade é diferente, é onde o filho chora e a mãe não vê. Toda aquela falta de base nos estudo voltou e voltou dando uma voadora na minha cara.
Depressão e desanimo, passei dois anos na faculdade e não passei em quase nenhuma matéria. Outros alunos desistindo em massa. Eu fraco e abatido, encolhido e vencido. Então espartano você vai desistir? Era uma encruzilhada, ou eu desisto e vou procurar outra coisa pra fazer da vida ou eu continuo. Escolhi continuar. Mas façam as contas, eu já tinha perdido 2 anos na 7º séria, 1 ano no técnico que era mais longo que o 2º grau normal e agora mais 2 anos na faculdade. Ou seja, eu ia me formar velho e não seria do topo dos formados e sim da raspa do tacho. Perspectivas nada boas para conseguir emprego. Já que eu estava estudando como nunca na vida decidi canalizar todo meu foco e meus esforços em provas de concurso. Virei uma metralhadora de fazer provas, enquanto ainda estava na faculdade. Passei em diversos concursos e escolhi um deles 6 meses antes de terminar a faculdade.
Adulto (30 a agora): antes tarde do que nunca comecei a construir minha vida. Agora as pressões são outras, compre o melhor carro que você puder, faça o financiamento imobiliário mais longo que puder. Em cada fase de vida aparecem essas armadilhas que servem apenas para te escravizar. Mesmo sem ter esse tipo de exemplo próximo eu tive sorte de ler Pai rico, Pai pobre e mesmo ganhando um salário bom eu saí de casa alugando a coisa mais barata que eu consegui e andando de moto. Procurei levar uma vida simples e economizar e investir o restante. Agora aos 41 anos eu atingi a marca de 1 milhão de reais em ativos financeiros. É apenas um número e com certeza não é a liberdade irrestrita, mas é uma conquista boa pra um cara com capacidades limitadas.
Lições que eu tiro da minha vida até aqui:
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2020.06.23 23:34 FrequentPractice2 Uma das pessoas mais especiais que eu conheci na vida

Era começo de 2018. Minha vida era resumida em trabalho, casa e video game e isso estava me deixando bem frustrado. Naquela semana eu estava muito desanimado e ela percebeu isso.
Ela chegou perto de mim e falou:
- Você não parece bem, se quiser conversar é só falar comigo
Ou falei que estava bem e voltei a trabalhar. Eu mal tinha conversado direito com aquela menina então eu com certeza não ia conversar com ela.
Passou o tempo e nós começamos a trabalhar juntos. Por causa do trabalho nós começamos a conversar e depois de um tempo nós viramos amigos. Eu sempre ajudava ela com coisas do trabalho e ela sempre me animava contando coisas engraçadas. Nós morríamos de rir no trabalho e isso era ótimo.
Ela era o total exposto de mim. Eu era um cara introvertido e ela uma pessoa super extrovertida e engraçada e talvez por causa disso nós combinávamos muito.
Ela sempre me ajudava quando eu passava por alguma crise de autoestima e justamente por eu começar a me abrir com ela eu fui me tornando uma pessoa mais extrovertida aos poucos e isso foi muito legal. Ela falava que eu estava passando por uma evolução Pokemon e a gente sempre ficava discutindo qual seria o próximo passo que eu precisava tomar para me tornar uma pessoa mais social.
Na festa de fim de ano de 2018 na empresa onde a gente trabalhava teve umas votações para decidir quem foi o crush do ano, qual foi a pessoa mais engraçada do ano ano, etc. Eu ganhei como o maior crush masculino da empresa e ela ganhou como a maior crush feminina da empresa. Esse dia foi muito especial para mim.
No começo de 2019 eu fui contratado por uma empresa de outro estado e precisava me mudar. Eu achava que não ia conseguir me mudar para outro estado porém ela me deu toda a força e no final, justamente por causa disso eu consegui e estou aqui até hoje, morando em outro estado.
Sinto muita saudade dela, ela foi a primeira pessoa que me deu carinho e atenção. Sinto saudades de abraçar ela, de rir junto com ela. Das bobeiras que a gente ficava falando...
Última vez que eu encontrei com ela foi ano passado, em dezembro. Eu lembro da nossa despedida. Nós nos abraçamos e ela me deu um beijo no pescoço. Então eu fui descendo as mãos passando pela braço dela e depois segurei as duas mãos dela. Ela me abraçou novamente e um amigo tirou uma foto nossa se abraçando. Eu tenho essa foto colado no monitor do escritório e ela tem essa foto no quarto dela.
Eu gosto muito dela e gostaria ser mais do que um amigo, porém infelizmente não vai rolar. Ela já tem namorado. Eu só gostaria de entender porque ela gosta tanto de mim. Eu gosto dela por motivos óbvios porém ela não tem motivos para gostar de mim. O namorado dela é gigante, é lutador de MMA ou sei lá o que, e eu sou apenas um nerd. Tá bom, eu tenho lá minhas qualidades porém isso não muda o fato.
A não ser que ela realmente goste de mim como amigo. Isso faz dela uma pessoa ainda mais especial, já que nesse caso a minha amizade para ela é algo sem interesse.
Hoje em dia eu meio que já superei isso. Me relacionei com outras pessoas e segui a minha vida, porém a nossa amizade dura até hoje, isso é muito legal. Ela sempre me manda mensagem perguntando como estou, me ajuda nos meus momentos de crise e sempre me dá a forças para continuar seguindo em frente.
Estava pensando nela esses dias então decidi escrever esse texto para lembrar dos momentos legais que passamos juntos.
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2020.05.24 04:31 iamdaviiid Estou apaixonado mas não posso dar continuidade a isso porque nossas vidas são muito diferentes.

Oi pessoal, esse é o meu primeiro post nessa comunidade, então não sei o que esperar do que vai sair nesse texto. Meu nome é David, tenho 17 anos e sou um rapaz meio complexado, só tenho 2 amigos e sou essencialmente introvertido apesar que por muito tempo forcei a socialização e isso me fez muito mal, mas isso é assunto para outra hora, continuando, sou esquisito, mas me sinto bem sendo assim, não é algo que me incomode além disso eu sou em muitos pontos bem resolvido, então não sofro com depressão ou ansiedade.
Há algum tempo conheci por meio de uma amiga uma garota incrível, somos bem parecidos, ela é tão esquisita quanto eu, uma menina de poucos amigos e bem introvertida, ela não gosta de praia?? Eu conheci ela em 2018, nunca nos vimos, apenas conversamos por mensagens, mas moramos relativamente perto e nós temos uma relação legal, a gente se dá bem. Acho que desde a primeiro dia de conversa eu já havia começado a sentir algo e pensar que nunca achei que iria me apaixonar novamente.
Acho que deu pra introduzir pelo menos superficialmente as nossa personalidades, né? Agora vou falar a respeito de como é nossas vidas, começando pela minha, eu tenho um pai problemático, ele está estressado uma boa parte do tempo e quando não está ele é um "tiozão" de pior categoria, ele fala muita merda, principalmente sobre "putaria". Eu e meu pai temos personalidades bem opostas, mas eu amo ele e gosto da rigidez, ele me fez crescer muito como pessoa, além de ter um bom caráter tirando uma coisinha ou outra. O que realmente me incomoda é parte dele falar muita merda, é ridículo, eu tenho muita vergonha disso, ele o tempo todo fala do "pau" dele e sobre "bucetas".
Como eu disse, meu pai é meio problemático, ele sofreu um acidente que fez com que ele perdesse o movimento do pé e isso abala muito ele, acho que é por isso que ele fala tanta merda, porque pra ele as coisas que ele fala são engraçadas e fazem com que ele esqueça um pouco dos problemas, uma parada meio rir para não chorar. Além disso, ele tem um sério problema com a família dele, não vou explicar toda história porque não vem ao caso, mas ele teve muitas brigas com os meus todos os meus seis tios, ele também tem uma briga com a mãe dele. Devido a todas essas brigas ele me proibiu de me relacionar com alguns de meus tios e me proibiu de ir na casa da minha vó, eu amava ir a casa da minha vó, tenho ótimas lembranças de infância, porque quase todos os finais de semana eu ia dormir lá junto com os meus primos, a gente se divertia bastante. Já a minha mãe eu não tenho muito a dizer além de coisas boas.
Agora falando da vida da garota, ela tem os pais divorciados, mas ela se dá bem com isso, os pais dela são bem legais e excêntricos, vão a exposições de arte, concertos e são cinéfilos, além de serem vegetarianos. Acho que não tenho mais muito a dizer sobre a vida dela.
Vocês conseguem ver como nossas vidas são diferentes? Eu não odeio minha vida, diria que o único real problema é o comportamento do meu pai, mas quem não tem problemas, não é mesmo? Vocês acham possível que eu namore uma garota toda formal com a família que eu tenho? Ela no mínimo iria se assustar com meu pai e provavelmente os meus pais não se dariam bem com os pais dela, nossa relação seria bem eu e ela, um negócio meio Romeu e Julieta, né? Kkkkk
Agora eu sinto que tenho duas escolhas, entrar de cabeça nesse relacionamento e passar por muitas dificuldades para manter essa relação ou cortar a garota de vez da minha vida, o que não seria tão ruim, até porque eu sempre fui sozinho, mas também seria muito bom ter ela na minha vida, a gente combina tanto e eu amo muito ela. Me sinto tão mal por conta disso, fico o tempo todo pensando em como contornar essas diferenças, mas não tenho muito o que fazer, eu moro com meus pais e vou continuar morando pelos próximos anos. Muito obrigado a você que leu até aqui, sou eternamente grato pela sua atenção ao meu problema.
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2020.02.13 05:17 JealousTelevision1 Acho que estou apaixonado

Bem não sei se estou apaixonado mas nunca quis tanto falar com uma menina como agora. Ela começou a trabalhar em um supermercado ou lado da academia que eu treino, eu vi ela no supermercado e já fiquei atraído por ela de um jeito, teve uma semana que ela se matriculou na mesma academia e fazia no mesmo horário que eu, bom achei que seria um bom momento pra me aproximar dela mas ela acabou mudando o horário do treino. A gente nem se conhece e nunca se falamos mas quero muito falar com ela, o problema que eu sou muito tímido e introvertido, nem sei o que dizer, se eu falo um oi, se eu pergunto o nome dela, as vezes eu passo no mercado e nem quero comprar nada é só pra ver ela e tentar criar coragem pra falar com ela mas não consigo. Algum conselho, uma dica pra me dar ?
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2020.01.09 03:21 dns-silva Eu queria meu amigo de volta

Sabe quando uma pessoa, que há algum tempo era tua metade, teu amigo pra tudo, aquela pessoa que fazia teu dia melhor e menos pesado, do nada, vira um estranho? Bom, como que eu vou explicar mais ou menos isso? Vamos lá. Eu tinha um amigo, há uns 2 ou 3 anos atrás, com quem passei boa parte do tempo convivendo. Olhando assim, eu acho que o meu eu de 7 anos atrás nunca diria que seríamos amigos. Éramos diferentes em tudo. Gostos, "classe social", hobbies, grupo de amigos e etc. Um belo dia comecei a conversar com ele sobre alguns filmes que gostava, e achamos coisas em comum nisso. Ele me indicou filmes e séries, e eu fiz o mesmo, e desde então, eu e ele sempre tínhamos muito assunto para conversar. Animes eram o ápice da conversa, e ele sempre me falava sobre One Piece e o quanto o anime ficava bom no 653° episódio. Isso tudo em 2014. Eu havia perdido meu pai em 2011, e meio que acho que nunca superei esta perda. Em 2014 eu encontrei uma caixa aqui em casa, com fotos, anotações e etc que pertenciam ao meu pai. Desde esse dia eu fiquei muito tocado e passava o dia quase inteiro pensando nele. Meu pai era um homem muito bom pra mim e eu tenho certeza que se hoje ele fosse vivo, estaria orgulhoso do filho. Nessa época eu estava descobrindo minha sexualidade, mas meio que tinha muita vergonha de assumir ser gay no meu círculo de amigos e isso ser motivo de piada e chacota. Esse meu amigo não, um dia resolvi contar para ele e a reação dele foi de me apoiar, e de dizer que ficava feliz por eu ter finalmente me encontrado. Ele sempre foi um cara muito bom. A gente passou 2 bons anos convivendo todo santo dia no colegial. E por mais que a gente não fosse tão igual, ele sempre fazia questão de me incluir em todas as saídas da turma dele, de me enturmar e fazer eu ter mais amigos e ser menos antissocial. Minha família não tem muito dinheiro, e as vezes ele me emprestava dinheiro para ir ao paintball ou cinema com o pessoal. Eu falava com ele sobre absolutamente tudo. E ele me ouvia e me entendia. Nem sempre tinha uma resposta pronta pra me dar, mas sempre me dava conselhos que eu sei que eram pro meu bem. Ele também sempre me confiou muitos segredos, e eu sempre fui 100% sincero com ele em tudo. Um dia, em 2015, ele começou a namorar uma garota da turma. De início tudo mil maravilhas, a dupla virou trio e eu virei vela, mas nem me importava, eu agora tinha dois melhores amigos. Eu nunca havia falado pra namorada dele sobre minha orientação sexual, por vergonha, mas um dia, em uma brincadeira, ela me perguntou e eu falei sobre ela. Ela achou legal, disse que sempre quis ter um amigo gay. Só que dá água pro vinho, em questão de semanas, ela começou a mudar comigo. Me ignorava, falava coisas ruins sobre mim, sobre eu querer roubar o namorado dela e dizer que eu gostava dele. Eu nunca gostei desse meu amigo em relação amorosa. Ele sempre foi como um irmão pra mim. Foi quando chegou o momento que eu mais temia, ela praticamente fez ele escolher entre o amigo e a namorada. Ele, óbvio, escolheu ela, mesmo dizendo que não faria essa escolha. A gente quase não se falava tanto quanto antes, ele se estressava comigo mais fácil e eu acabei entrando em uma depressão. Voltei a ser um cara introvertido e calado. Não saía mais com a turma, não participava das rodas de conversa, tudo por que eu sentia o olhar ruim da menina que ele namorava sob mim, e as vezes ouvia as coisas que ela falava sobre mim pros outros. Quando o ensino médio acabou e fomos pra faculdade, nós nos distanciamos, eu e meu amigo, e consequentemente eu e a tal namorada dele. Estamos na mesma faculdade eu e ele, mas em cursos e turnos diferentes. Eu as vezes vejo ele no corredor, ou passando por algum auditório. Eu as vezes vejo as postagens do casal no insta dele. Mas faz tanto tempo. Isso tudo eu passei em 2016, e de lá pra cá eu tenho estado tão sozinho que só agora me deparei com a nova "imagem" que minha mente criou dele. Olhando fotos antigas, me pergunto se realmente aquilo tudo foi real, e eu um dia tive um melhor amigo. Eu acho muito bonito, sabe? Duas pessoas, independente do sexo, serem amigas a ponto de poder contar com aquela pessoa para o que der e vier. Eu queria muito poder um dia conversar com ele de novo. Falar sobre como eu me sinto, mas isso é quase impossível. Ele agora trabalha , tem uma rotina corrida e os velhos amigos da turma são os únicos amigos do passado com quem ele ainda sai, visita, conversa. Soube que até tem um grupo no whatsapp. As vezes eu acho que eu não existi ali naquele meio. Não sei se realmente me importo, mas é como se eles tivessem me apagado da memória. E o que mais me dói, é que eu sinto que ele também me esqueceu. Lucas, se um dia tu ler esse relato, eu queria dizer que sinto muito pelo que nossa antiga amizade se tornou. Talvez tenha sido minha culpa. Eu sinto muita, muita falta mesmo de ter alguém pra conversar as vezes. Eu tenho sonhado algumas noites com cenas daquele tempo. Com as vezes que eu chorei por causa de crises familiares e tu tava ali, do meu lado pra me dizer algo que me ajudasse . Eu não sei se um dia eu vou ter um melhor amigo de novo. Eu queria muito. Mas eu espero, de verdade, que tu esteja e seja muito feliz na tua vida toda. Bom gente, é isso, obrigado por me lerem.
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2020.01.08 05:31 Maul_o_Sujo Eu não consigo mais separar paranoias e a realidade

Oi pessoal, me chamo Maurício. Eu estava começando a ficar com depressão logo antes de entrar na faculdade ano passado. Minha mãe dizia que era falta de contato social com as pessoas que me deixava deprimido, mas não é tão simples.
Durante o ensino médio eu sofri mt bullying e fui rejeitado por muitas garotas, sem falar de 'amigos' que "furaram meu olho" e destruiram minha confiança em relacionamentos.
Eu atualmente gostaria de arrumar uma companheira, mas eu não consigo saber se as meninas me acham só fofo por eu ser introvertido, ou se alguma colega realmente me acha interessante. Essa semana mesmo uma colega começou a ter contato físico comigo de uma maneira que eu não compreendo. Isso está me deixando ansioso.
Eu gosto dessa colega mas não sei mais como reagir a nada. Eu me sinto morto. Alguém me ajuda por favor, eu não aguento mais ficar sozinho.
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2019.10.20 18:31 R0r0noaAlex Problemas internos... +18

Olá pessoal!, tudo bem?.
Espero que leiam meu segundo desabafo...
Tive uma infância bastante conturbada, meu pai batia na minha mãe, minha mãe traia meu pai na mesma cama que ambos dormiam, e como na época morávamos em uma casa que só tinha um quarto, eu acabava vendo e ouvindo o ato...
Eu era um garoto sociável, gostava de fazer amizades, era mais aberto sobre meus sentimentos e mais algumas qualidades que não me lembro mais...
Até que meus pais se separaram, e as coisas mudaram muito rápido para mim, provocando mudanças em minha personalidade...
Eu ficava uma semana na casa de um, e outra na semana na casa de outro. No começo era legal, pois me tratavam SUPER bem, mas com o passar do tempo, começaram as intrigas, um começava a inventar coisas sobre o outro tentando aplicar uma lavagem cerebral em mim... E conseguiram...
Eu já não conseguia mais ser eu mesmo, sempre tinha que ter cautela ao falar algo ou me expressar...
Daí comecei a me trancar no quarto, ganhei peso (hoje tenho 120 quilos), me isolei do mundo...
Mas vocês pensam que acabou?, muito pelo contrário:
Depois de uns 2 anos, meus pais voltaram e começaram a fingir que não tinha se separado.
E começaram a martelar minha cabeça de novo: "Fica o dia todo dentro desse quarto", "Vai comer umas meninas rapaz", "Eu tenho medo dele, esse menino é louco, nunca vi uma pessoa tão introvertida como ele..."
Comecei a escutar vozes... e apartir desse momento, não conseguia mais sair do meu quarto... Elas riam de mim, me desanimavam, falavam que eu deveria comer até infartar, só assim meus pais se livrariam de mim.
E em um momento de coragem, falei pros meus pais tudo o que estava passando, e enquanto eu falava, as vozes riam, mas mesmo assim continuava falando. Sabe o que aconteceu?, meus pais mandaram eu virar homem, e que eu só queria atenção. Minha mãe contou isso a minha vó, e essa anja, foi a única que me ajudou...
Ela marcou um psicólogo para mim, e lá eu disse tudo, confesso que até me senti mais leve depois de ter tirado o peso de mim... mas sabem o que ele fez? "Ah, você tem traumas, e esses traumas emergiram na sua cabeça, por isso tu escuta elas... Vou te medicar uns remédios". Fui para casa com os remédios, e comecei a tomar todos os dias, mas depois de um tempo comcei a ter leves crises de amnésia, e graças a isso comecei a tomar os remédios 2 vezes por dia, pensando que não tinha tomado... depois de meses fazendo isso sem perceber, fui encontrado desmaiado e semi-morto no chão da cozinha...

Fiquei internado por 5 dias, e fui obrigado me voluntariar a palestras anti-suícidio ;-;.
Hoje tento me recuperar, mas estou seriamente desanimado com a vida, as pessoas do colégio me zoam por eu ser gordo e por introvertido... Professores tbm me tratam diferente... mas sla, acho que se eu me isolar um pouco mais, não terei mais problemas em relação a isso...
O que acham da minha vida?

Enfim, ficou enorme, mas essa foi o resumo da minha curta vida. Claro omiti algumas coisas, mas a maioria tá no texto...

Espero que acreditem, e que não tratem meu texto como algo de ficção... Boa tarde a todos S2
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.06.27 20:59 filipemc [DQ] Dedo no Cu e Gritaria

Eu quase nunca saí de Minas, três vezes. Nas vezes que saí, não conheci ninguém, não tive tempo de ver muito dos lugares, era muito novo, etc, etc. É foda ser pobre, é foda ser introvertido e meio fudido da cabeça. Dizem que o brasileiro é um povo extrovertido e alegre, sei não… eu nunca fui assim, às vezes queria ser. Mas às vezes também eu vejo que quem fala, fala por não suportar o silêncio e isso “quebra a imersão”... Imersão do mundo real. Do mesmo jeito quando alguém conta uma lorota e se é pego diz que tava brincando com sorriso amarelo, meio sem graça. Mas isso não importa. Tem muita cultura e sotaque diferente aqui dentro, a gente se conhece pouco. Tantos como eu não têm nem a chance de viajar, os que podem geralmente vão pros lugares de sempre, com as pessoas de sempre, sem se conectar. Desperdiçando boa parte da experiência, do que poderia ter sido. Acaba que cada estado, seja lá pelo motivo que for, tem uma peleja com algum outro. Já ouvi um gringo dizer que Minas era único estado que nenhum outro odiava, mas sei lá. Agora tem estado de esquerda e direita, uma menina de Recife não se cansa de me lembrar que por aqui o Bozo ganhou… hauhau. O Brasil agora tá dividido em dois. Esquerda e direita, ou melhor, bolsominions e esquerdopatas. Mas tá todo mundo misturado, dentro dos estados, cidades, ruas, sendo obrigado a conviver. Eu tô aqui em BH, do lado da minoria à esquerda… e é quase que como dois partidos mesmo. Eu não gosto da maioria das pessoas do outro lado. De verdade mesmo, ainda que pra maioria eu não deseje o mal, eu não quero ser amigo deles. Eu não quero nem conviver com eles e foda-se, essa é a verdade. Não sei pro resto, mas pra mim é muito difícil conviver com gente que “acha” que existiu um kit gay nas escolas, que tem dois pesos e duas medidas pra tudo… daí em diante. É tanta briga, tanta divergência que tem momentos que eu sou obrigado a questionar minha própria sanidade, de onde vêm essas minhas convicções. Tudo bem, pelo menos eu paro e penso. O outro lado, as mãe solteiras, os artistas de rua, as travestis, as putas, os maconheiros, o cara que disse que “no governo do PT a gente recebia só migalhas, mas que agora nem isso vamos ter mais”, quem realmente se fode e não abre a boca pra dizer que tá menos pior que os outros porque merece. Essa é a parte do país que ainda me desperta emoção. Problema que é só amargura e inconformismo. Tá foda ver que o nosso piso de direitos agora tá virando o teto, que a imagem do brasileiro no exterior tá virando a de um reacionário incompetente e hipócrita, que eu vou pro centro da cidade e tem mais mendigo que ambulante e mais ambulante do que gente disposta a gastar no mesmo quarteirão. As duas partes seguem misturadas, nos estados, nas cidades, nas ruas, até dentro da gente. Toda a gente é um bocadinho hipócrita mesmo, acho que nada ilustrou melhor a loucura que é isso aqui do que a Banheira do Gugu, domingo de tarde. Dedo no cu e gritaria. Brasil. Mas o que já se elogiou na brasilidade de outrora tá se apagando, ou eu que tô vendo o mundo meio sem cor. O povo tá deprimido, tá acabando o calor e a boa vontade com o próximo, tá normal ver alguém se fuder e pensar “não é problema meu”, tá normal levar a vida como uma competição contra principalmente as pessoas que você chama de amigo, tá normal ser efêmero e egoísta. Os individualistas tão se juntando pra destruir nossa identidade de grupo e o pior é que a gente tá deixando.
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2019.06.09 04:48 MattBrasil É humilhante ter que mendigar companhia. É doloroso não ser lembrado.

Antes de começar duas notas:
  1. Eu sei que isso talvez coubesse mais ao desabafos, mas decidi postar aqui porque acho que chega a mais pessoas, e talvez faça sentido pra mais gente.
  2. Também sei que existem pessoas com problemas “de verdade”, coisas muito mais sérias, enfrentando barras muito piores. Mas é como li esses dias aqui no reddit ( LifeProTips eu acho?) : “A dor do outro não diminui seu sofrimento”.
TL;DR no final.
Boa noite amigos. Hoje decidi postar isso aqui pra ajudar a tirar um pouco do peso que tô sentindo hoje.
Um pouco de contexto. Não quero tomar muito tempo, nem fazer um mega textão, então vou tentar ser breve e omitir a maior parte das coisas, focando no principal.
Após 5 anos de casado, estou enfrentando divórcio. Não é o divórcio mais absurdo do mundo, mas tem meu filho especial envolvido, e meus pais conservadores também. Isso tem sido pesado. Já estou separado há mais ou menos um ano, só esperando o advogado desenrolar os papéis. Isso já me causa ansiedade. São 5 anos vivendo a vida de casado, com companhia todos os dias. 6 se contar o namoro, 9 se contar o namoro anterior. Há muito tempo eu não ficava solteiro. E a frase “solteiro sim, sozinho nunca” não poderia estar mais longe da minha realidade. Eu estou, de fato, muito solitário. E deprimido. E ansioso.
Meus pais se mudaram da cidade em dezembro passado. Em 31 anos de vida, é a primeira vez que moramos longe. Meus amigos são todos introvertidos, nerds. Todos gostam de ficar em suas próprias casas, jogando, vendo filmes, séries, etc. Eu também gostava, mas isso não tem sido suficiente pra me ajudar a combater minha solidão / depressão / ansiedade. Há algum tempo, eu decidi que precisava sair mais, ver gente, conversar, interagir.
Tentei sair sozinho algumas vezes, mais isso é mais deprê que tudo. Não encontro ninguém que conheço, e nem tenho jeito pra interagir com quem não conheço. Acaba piorando tudo: saio para ver casais, turmas de amigos, pessoas socializando enquanto eu fico sozinho numa mesa ou num canto, “curtindo” minha solidão. Mudei de estratégia.
Resolvi enturmar mais com as colegas de trabalho (os colgas, no masculino, são pessoas mais caseiras, ou são casados que se recusam a sair). Via sempre nas redes sociais como elas estão sempre saindo e se divertindo, e resolvi enturmar. Como já conhecia e já conversava com elas (Vamos chamá-las de W. e J.), e elas já sabiam da minha situação, que descrevi acima, foi menos doloroso fazer a primeira “mendicância” de companhia. Falei na cara dura mesmo, “se forem sair, se for rolar alguma coisa me chamem, tô precisando sair, ver gente.”
Elas adoraram a ideia. Logo conheci o marido de cada uma (ambos gostaram de mim, inclusive a J. falou que o marido veio comentar que me achou um cara muito legal), a filha da J. e saímos umas duas ou três vezes. Eu me considerava parte da turma até. Tava me fazendo bem. Brinquei com o fato de que eu era o único sem par, e as colegas incentivaram “Opa, vamos mudar isso, você vai conhecer umas amigas nossas” e etc.
Mas há três semanas já que não sou convidado pra nada. É sempre o mesmo papo “Ahh hoje não sei se vai rolar alguma coisa, se for a gente te fala.”. Sempre tem alguma coisa. Nunca sou chamado. Depois só vejo as fotos em redes sociais.
Ainda essa semana a J. disse “Nossa, você tá sumindo.” Eu respondi: “É, eu tenho quase certeza que estou desaparecendo aos poucos, ficando invisível.”
Mas esse fim de semana acho que meu nível de trouxa atingiu níveis épicos.
Mesmo não gostando de ter que mendigar companhia, sexta-feira eu engoli meu orgulho e fui pedir. “Então, hoje é dia. Vai ter um happy mais tarde? Se forem fazer algo, me chamem.”. A J. disse que não ia rolar nada, que estava frio e ela tava desanimada. A W. disse “Hoje não, mas no fim de semana aí deve rolar, aí eu te ligo eu mando mensagem, certeza.”. Saíram Sexta. Saíram Hoje. Eu fui lembrado? Não. Eu acho humilhante ter que ficar pedindo pra ser chamado pra sair, mais é doloroso ver que nem pedindo eu sou lembrado.
Pra colocar a cereja no topo do meu bolo, hoje à tarde fui no shopping aqui da minha cidade, e vi a menina em quem eu sou perdidamente apaixonado (não correspondido, como já devem imaginar). Ela me viu, depois baixou a cabeça pro celular, e me ignorou por completo. Mas essa já é outra história.
O texto ficou gigante mesmo eu tentando resumir. Se você leu tudo, obrigado, de verdade. Me sinto melhor só de compartilhar. Se não leu, segue o TL;DR.
TL;DR: Vivo pedindo aos colegas de trabalho pra me chamarem quando forem sair. Nem assim lembram de mim, e não sou mais convidado pra nada.
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2019.06.09 03:51 Troules771 Sou um banana! Frustrei a menina que estava afim de mim.

Reclamei minha vida inteira que nenhuma menina nunca olhava para mim. Me sentia um lixo. Até que, recentemente descobri através de um amigo. que uma colega de cursinho tinha uma queda por mim, e que me achava bonito, inteligente e legal. Minha autoestima foi parar nas alturas, eu já imaginava eu e ela em um namoro sério. Me senti valorizado e válido para alguém.
Porém, eu sou um cara extremamente inseguro e introvertido. Tenho depressão e minha família é um tanto conservadora. Muita gente acha que rapazes tem mais liberdade, mas, minha mãe é conservadora comigo do mesmo jeito que seria com uma filha. Minha irmã mais velha namorava escondido e engravidou aos 17 anos (minha idade atual), desde então, o assunto namoro, que já era um tabu, ficou mais proibido em casa. Por outros motivos nossa relação é bem complicada, discutimos com grande facilidade.
Meu amigo me contou que a menina queria ficar comigo, só que minha irmã também frequentava o cursinho, e, se ela desconfiasse de algo, contaria a minha mãe e uma nova briga poderia surgir em casa. E eu estou cansado de brigar em casa, e se fosse por namoro, a briga seria pior. Eu então expliquei a ele que me sentia intimidado com a presença da minha irmã e das amigas dela.
Bem, hoje ocorreu uma festa junina na minha escola. Meu amigo contou que a menina estava lá e ficou me pressionado para que eu ficasse com ela. O problema é que a cunhada da minha irmã e as amigas dela (da minha irmã), estavam por lá, logo pensei na possibilidade de fofocarem. Tentei puxar assunto, mas eram assuntos frívolos demais e eu comecei a ficar nervoso. Eu comecei a suar e gaguejar, e, vi que ela tentou tomar iniciativa quando me chamou para dar uma volta. A cadeira onde eu estava ficou suada, e fiquei com muita vergonha.
Ficamos uns 35 minutos juntos até que eu tentei explicar a ela o porquê de eu não tentar conquistá-la. Ela começou a me indagar se eu tinha de ser o filhinho perfeito, então soltei logo que minha mãe iria brigar comigo se descobrisse que eu estava beijando alguém durante a quadrilha da escola. Para minha mãe, um beijo já é um ato sexual. Nessa hora eu fiquei com medo da menina achar que eu era gay.
A conversa foi ficando mais forte e eu mais nervoso, ela tentou me levar para um local escuro:
O clima entre nós ficou seco. Eu então me despedi dela e ela fingiu estar tudo bem, mas o tom de voz dela também era de frustração...estou me sentindo um esgoto! Tenho medo e certeza de que fiz a menina se sentir um lixo. Fiquei besta o quanto de insegurança e babaquice transmiti para ela. Talvez nunca mais ela me enxergue mais como um rapaz bonito, legal e inteligente.
Eu nunca beijei...tinha medo de não saber beijá-la também. Eu estava suado e trêmulo, não havia clima para um "ficar" ali. Meu amigo estava me pressionado. Ele conhece bem ela e estava "ajeitando" tudo para ela, o que me deixou mais nervoso ainda. Não queria problemas na minha casa, principalmente relacionados a fofoca. Prometi a mim mesmo que só namoraria quando terminasse o ensino médio e fosse morar em outro lugar. Minha cidade é pequena e cheia de fofoca. Como sou religioso, pretendo ter um relacionamento sério, conhecer uma moça em outras circunstâncias. Esse tipo de romance onde tem "cupido" (meu amigo) não faz minha linha. Desabafei pois estou me sentindo muito mal.
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2019.05.10 07:05 giulianosse Apatia; viver faz ainda menos sentido e literalmente não vejo saída pra isso

Aviso que isso vai ser longo. Provavelmente ninguém lerá até o fim, mas eu juro que tentei resumir o máximo que pude.
Background: 2018
Eu, 23 anos, basicamente um fracasso em quase todos os aspectos possíveis da vida.
Em julho descobri que seria jubilado no final do semestre após cursar 4 anos de um curso que eu amo em uma das faculdades mais prestigiosas do país pois não tinha vontade e ânimo de estudar (dificuldade de me adaptar = DPs = poucos amigos)... mas tudo bem
Sempre tive poucos amigos. Muitos colegas e conhecidos, mas poucos amigos de verdade. Sou super introvertido, mas depois que conheço mais a pessoa me torno o cara mais extrovertido do planeta. Não gosto de ir em festas e baladas onde não conheço ninguém, mas adoro passar uma noite enchendo a cara e falando/fazendo merda no boteco mais sujo da cidade com meus amigos. Sempre tive sobrepeso, fui feio e tive zero auto-estima, então nunca aprendi a me aproximar de alguém novo... mas tudo bem
Tenho os hobbies mais caseiros possíveis: livros, séries, jogos e filmes. Porém, assim como minha persona social, sou esquisito e sou doido de vontade de fazer outras coisas mais "ao ar livre" tipo viajar para outras cidades/países, ir em shows, festas, praticar um esporte; só faltava companhia mesmo... mas tudo bem.
Nunca tinha tido uma relação amorosa. Pior, sequer consigo conversar direito com meninas. Apesar de não ser mais bv, ainda assim era virgem e nunca tinha sentido vontade de ter um relacionamento... mas tudo bem.
Digo "tudo bem" pois eu aceitava perfeitamente a minha mediocridade. Eu não era feliz, mas de certa forma conformado e satisfeito com a minha situação... e isso era o que importava. Era contente e deixava a vida me levar.
Aí chegou setembro.
Logo no começo do mês, viajei com uns amigos e passamos um fim de semana enchendo a cara em um sítio, como fazemos semi-regularmente. Sempre vão basicamente as mesmas 8-10 pessoas, às vezes alguém novo. Eis que o impossível acontece: uma garota da minha idade, amiga comum de todos os meus companheiros (todos na casa dos 28 anos pra cima), também foi. Inicialmente eu não dei a mínima, mas aconteceu que ela estava 100% interessada em mim. Até eu, um zero a esquerda nesse assunto, notei isso na hora.
Enfim, por iniciativa dela acabamos se pegando (e eu, na ansiedade e pânico do momento, acabei nem me despedindo dela quando fui embora no domingo hahaha)
No dia seguinte, resolvi adicionar ela no Facebook (como faço com todas as pessoas novas que conheço) e, pasmem, ela vem puxar assunto. No começo, mal conseguia responder. Ela teve muita insistência em continuar me dando trela. Papo vai, papo vem e acabo "descobrindo" que ela estava realmente interessada em mim.
Acabou que, em basicamente uma semana, estávamos trocando mensagens todos os dias e conversando basicamente o dia inteiro sobre tudo, tudo mesmo. Contei coisas pessoais que nunca tinha falado pra ninguém. Ouvi, também. Éramos compatíveis em literalmente tudo. Nos abrimos como livros. Nunca havia sequer imaginado que poderia ser íntimo assim com outra pessoa em minha vida.
Acabou que, obviamente, nos apaixonamos. No começo foi meio estressante (duas semanas depois, primeiro encontro, eu já a pedindo em namoro e ouvindo um "não" porém continuamos interagindo da mesma maneira; ela ficando com outras pessoas em um bar e depois vindo contar, chorando, que não podíamos ser nada além de amigos; ela mudando de opinião 180º um fim de semana depois) mas deu que acabamos por enfim namorar.
Não quero me prender muito aos detalhes, mas apenas gostaria de dizer que foram os melhores três meses da minha vida. Eu a amei, e era tudo absolutamente 100% recíproco. Fizemos planos, fomos descobrindo ainda mais coisas e hobbies que éramos compatíveis... até brincávamos que estávamos bancando o Juscelino Kubitschek edificando Brasília - 50 anos em 5 - pelo ritmo das coisas. Não sou muito de filmes românticos, mas eu ainda acredito que nossa paixão era melhor que 95% de todos os roteiros e scripts que alguma vez já foram lançados no cinema (assistam "Spring" - além de ser um filme pica d+, é basicamente uma alegoria 1:1 do nosso namoro até então. Ficamos até meio chocados quando assistimos)
Nesse período eu também dei um duplo twist carpado na personalidade - minha auto estima foi de negativo a 100, comecei a me vestir melhor, fiquei mais extrovertido - as pessoas sempre nos chamavam para participar de qualquer coisa - e animado, comecei a expandir meu círculo social; passei no vestibular - extremamente concorrido e difícil da mesma universidade que fui desligado - sem estudar absolutamente nada, estava pronto para arranjar um estágio/emprego na área que sempre sonhei... Evoluí pessoal e profissionalmente nesses 3 meses o que não havia feito em 5 anos.
Começou 2019.
Tudo estava correndo na mais perfeita normalidade... até mais ou menos a metade de janeiro. No período de uma semana, um interruptor mudou nela. Da mesma maneira que a relação esquentou, esfriou... porém sem nenhum motivo óbvio. A mudança foi de nível "trocar 300 mensagens melosas por dia e o caralho a quatro" e contar os segundos até que pudéssemos nos ver novamente pra "tô cansada e ocupada, só posso falar de noite" e ficar indiferente quando finalmente nos encontrávamos.
No último dia do mês ela terminou por telefone. Ela disse que "não estávamos na mesma fase de vida" (ela havia terminado uma relação de 6 anos no começo de 2018) e que se isso continuasse ela iria me tratar ainda pior a cada dia que passasse, como foi com o ex dela. Disse que gostaria de continuar "sendo amigos", mas nem isso acabou por ser recíproco. Provavelmente queria aproveitar a vida e não arrumar outra relação séria tão cedo, enfim.
Antes que alguém pense nisso - não, eu não estava sendo traído nem nada do estilo. Disso eu tenho absoluta certeza pelo que eu conhecia dela. E também não digo que eu não tive culpa de nada - durante o último mês da relação, a falta de reciprocidade estourou a minha ansiedade pra mil e isso mais que certeza contribuiu bastante pro final.
Para a surpresa de ninguém, isso foi como um tiro pra mim. Não esperava um término de fato, ainda mais sem nenhuma explicação. Mas o pior do pior de tudo foi o pós - agora, no caso.
Pense em alguém que esteve a vida inteira caído no chão. Um belo dia, alguém lhe dá a mão e a ajuda a levantar. Assim que a pessoa, por fim, finalmente fica de pé, alguém passa uma rasteira por trás e a pessoa volta a cair no chão.
Como eu falei, antes eu era medíocre, mas era conformado. Hoje eu voltei à mesma mediocridade, mas não consigo mais me contentar após ter visto "o outro lado" da vida. Como era bom ter uma pessoa na vida que realmente se importava com você. Como era ser amado por outra pessoa. O que é intimidade. Como é bom ser valorizado pelo que você é.
Infelizmente, tudo que conquistei acabou por voltar ao modo que era antes. Estou na mesma merda em relação à faculdade (falta de ânimo pra estudar = fazer poucas matérias no semestre = deixar de me enturnar com os outros calouros = suicídio social 2.0), não consegui um estágio, tenho quase 24 anos sem experiência profissional, sem um diploma, sem círculos sociais novos.
Nem tudo foi pro lixo. Ainda mantenho o meu peso (lá pra maio do ano passado comecei a fazer uma dieta que emagreci 25kg em 6 meses - me perguntem sobre jejum intermitente que eu sou profissa nisso!) e me sinto 1% mais confortável no meu corpo, minha relação com o meu pai melhorou e não perdi nenhum amigo que tinha após o termino (tanto porque nosso círculo social era o mesmo).
Porém, eu tenho vontade de acabar com tudo todos os dias.
Diversas pessoas me contaram, na época, que isso ia passar. Eu ainda penso nisso quase todos os dias. Pior ainda pois estou bem desocupado (tenho só 2 aulas por semana).
Venho tentando ser o mais social possível, organizando bares, encontros entre amigos, programas, churrascos... tudo pra ter um pouco de companhia. Mas, eu te pergunto, e aí? Todos meus amigos, por serem mais velhos, tem suas responsabilidades e não estão sempre disponíveis. Sem contar que eu sinto que a cada dia eles estão se enchendo de mim, por eu estar projetando toda essa carência (só conversei sobre meu término de vdd com um dos meus amigos, que além de ser família eu o considero praticamente como um irmão)
Nunca fui fã de acreditar em destino, mas vira e mexe me pego pensando "será que ela era 'a minha alma gêmea' e como eu caguei na oportunidade ficarei solitário pelo resto da minha vida?". Leio milhões de relatos na Internet de pessoas que são solteiras com seus 30, 40, 50 anos e me vejo no lugar delas. Tentei por um tempo dating apps mas foram poucas pessoas que me interessaram, ainda menos que sequer responderam minhas mensagens e nenhuma até agora que sequer deu a mínima bola. Me considero um 6 de aparência, mas sempre me prezei pelo meu humor e capacidade de conversa. Fato é que ninguém me quer.
Com toda certeza também nunca encontrarei alguém como ela na minha vida. Isso não é papo e sim praticamente um fato. Quais as chances de alguém, além de me achar interessante e bonito, dar a iniciativa que está afim de mim, me dar bola, ser bonita, possuir os exatos mesmos gostos e hobbies, mesma personalidade, mesmo senso de humor, maturidade... mesma porra toda? E ainda possível conhecer ela por intermédio de amigos? Absolutamente zero.
E é por isso que não vejo mais sentido nessa vida. Só estou prolongando o meu sofrimento e apatia a cada dia que passa. Estamos já quase na metade do ano em um piscar de olhos e sinto que tô jogando minha vida no lixo. Francamente, meu desejo de viver acabou quatro meses atrás e atualmente eu sou apenas um zumbi vivendo em função do momento. Não há um dia que passe e eu não pense em como seria reconfortante dar um fim nisso tudo.
Se você leu até aqui: meus eternos agradecimentos e desculpas por ser algo tão patético. Desabafar me trouxe um alívio momentâneo, mas atualmente é tudo que eu tenho.
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2019.03.26 04:00 jesmbc Sobre crianças e psicopatas

Notas: esse texto não é sobre crianças psicopatas e nem tampouco procura estimular relacionamentos entre pessoas de faixas etárias distintas.
Nesse domingo, eu estive em uma dessas megalojas que estão pululando pelo Brasil (daquelas que apoiam nosso ilustríssimo presidente) , de cima a baixo, até que estava dando uma olhada no setor de ovos de páscoa e eletros - que é curiosamente próximo das gôndolas de brinquedos - até que uma mocinha de no máximo doze anos iniciou uma conversa comigo sobre as pistolas Nerf. Essa foi uma das interações mais sinceras que tive nos últimos anos, sem interesses escusos, sem maldade, sem “entrelinhas”. Mas para eu poder me fazer entender, preciso dar um background sobre mim e certas coisas que aconteceram comigo nos últimos anos.
Como sou um jovem adulto (um pouco mal resolvido) e apesar de um pouco introvertido, já posso dizer que tive meus “pequenos romances” e também minhas desventuras. Mas há uns anos atrás, passei por uma das piores situações que tive com uma menina: quando a conheci, ela parecia perfeita, completamente interessada em mim, me dava atenção, fazia tudo pra me agradar. Cheguei a frequentar a casa dela por algumas vezes, mas eu sentia que alguma coisa não estava certa, estava tudo dando certo demais, muitos sorrisos e cuidados. Mas, com o tempo acabei me entregando de bandeja, e em pouco tempo fazia todas as vontades da dita, sem pestanejar, sendo usado e vitimado por chantagens e jogos de palavras (como por exemplo “venha pra cá que eu vou fazer um cachorro quente pra tu molhar a salsicha no molho”). É óbvio que tenho uma parcela de culpa (caí no papinho) e ainda assim fui até as últimas consequências.
Eu levei tempo pra perceber que os sorrisos eram falsos, os carinhos eram rasos e nada além de objetivos pessoais estavam em jogo. Desfecho da história: tive que suportar a frustração de ver a pessoa que tanto me atraía com outro cara, de mão dada, no meio da rua. E pra mim, que conheci uma pessoa que só ri da boca pra fora, que só responde as mensagens quando quer, inventa histórias mirabolantes pra criar empatia e que nem ao menos boceja, não passa de uma psicopata (não esses de filme, apenas uma pessoa com um “parafuso a menos”) que não tem a menor empatia com o outro.
Quanto a mim, passei um tempo em que tive que digerir a frustração com um sorriso no rosto, tive que transformar a tristeza em motivação pra terminar meus trabalhos do semestre. Fiquei abalado mas reagi a como quem leva um soco na cara, cai, levanta e sobe no ônibus pra ir pra casa, como se nada tivesse acontecido. De alguma maneira, suprimi tudo aquilo e tentei transformar em algo bom.
Porém, o sentimento que carrego hoje ainda é o de que não posso confiar em mais ninguém (que não seja íntimo), minha autoestima que já era baixa piorou e ainda assim, não consigo mais ver motivação em ir atrás de uma potencial parceira. Tudo que consigo ver é maldade, interesse e fingimento em relações. Isso mudou um pouquinho ontem.
Quando eu estava vendo as pistolas Nerf (aquelas com dardos de plástico), vejo que chega perto de mim uma mocinha de uns dez anos, e começa a conversar sobre os brinquedos, dizendo que as pistolas de dardos eram muito legais, que uma outra pistola que lança bolinhas de papel higiênico molhado fazia bagunça e que gostava era de brinquedo de menino, porque os artigos de menina eram “sem graça”, tudo isso como se fôssemos colegas de escola. Pude ver que os comentários eram sinceros, que a vontade de interagir com alguém era grande (ainda mais na nossa era de smartphones e tablets), e que não havia maldade ou nenhum interesse em algo que eu tinha.
No começo da conversa, até tive medo de conversar, afinal sou melindroso com criança e depois de estar à vontade, comecei a me policiar porque, afinal, homem “velho” conversando com uma menina moleca não é “bem visto”. Tive os mesmos pensamentos e sentimentos que me atormentam, desde a vez em que a psicopata me deixou - medo de interagir e vergonha por saber que os outros veriam algum tipo de maldade na conversa.
Bem, uma parte da minha fé na humanidade foi restaurada. Esse texto é só mais uma verborragia, sobre essas coisas que acontecem e queria compartilhar, porque acho que não é sempre que acontece. Se alguém que venha a ler se identificar e quiser compartilhar alguma história parecida, compartilhe por favor, ficaria contente em ler.
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